Bonfim

Um blogue de vitorianos

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Ideias peregrinas e gestão avançada

Eu estive lá, ao frio e ao vento, tal como os outros 4.500 que no sábado à noite pagaram bilhete para ver o Sporting, com bastante facilidade, dar três secos ao Vitória.
Mas dos 4.500, os que pertencem ao grupo dos sócios do VFC não tiveram a vida facilitada.
Talvez numa demonstração que o plano tecnológico do governo está a ser implementado também nas colectividades desportivas, a direcção do VFC deixou de ter os cobradores a receberem as quotas antes dos jogos. Agora o pagamento da quota pode ser feito no mesmo guichet (ou buraco na parede...) onde se compra o bilhete; não há cobrador fixo, uma vez que a vinheta é emitida na hora, após consulta informática (os CPU's e impressoras eram visíveis mesmo através da estreita abertura).
Até aqui, tudo bem, até aplaudo.
O pior veio quando tentei comprar bilhetes não só para mim, mas para as pessoas que me iriam acompanhar. Só se apresentasse os seus cartões!
Como!?!?
Pois, é que os bilhetes agora são personalizados; saem com o nome do sócio impresso neles. "E se um sócio vem mais tarde e o seu bilhete foi vendido?", perguntava-me a funcionária lá atrás da abertura no betão. Ainda lhe disse que compreendia a medida, uma vez que nos últimos anos tem havido problemas para conseguir sentar os sócios e já vi muitos a lutarem pelo lugar X na fila Y, o mesmo que está inscrito no bilhete. Ela não percebeu a ironia e concordou.
Ou seja, uma ideia peregrina. Idiota, mesmo.
Como fui cedo, não tive problemas, mas um conhecido, que entrou já o encontro decorria há alguns minutos, deu-me conta daquilo que antecipara: pais de família ou alguém que pretendia comprar o bilhete para um grupo de amigos, estavam com dificuldade em obter o bilhete. Dizia ele, que vendo a fila que ainda se formava na altura, se podia julgar que a lotação estava prestes a esgotar.
Infelizmente, não.
E também não vi ninguém a lutar por um lugar na bancada, mas ouvi, mais uma vez, muitos a dizerem que da próxima vez aquele lugar ficaria vazio.
Mais uma razão para dizer que a ideia de dificultar a compra de bilhetes é uma idiotice da direcção. Concedendo que nesse corpo de ilustres vitorianos deve haver muitos com maior experiência de gestão que eu, não consigo entender o que leva alguém a dificultar o acesso ao produto que se vende, tendo-se excesso de capacidade instalada e não podendo ainda assim fazer subir o preço, dada a insatisfação com os resultados. Mas deve ser parte da mesma técnica de gestão que permite uma revolta dos trabalhadores para tudo continuar na mesma, dando muitos deles mostra que pouca vontade têm de por ali andar.

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